segunda-feira, 14 de abril de 2014

Um dia ordinário

A vida agora segue em movimento suspenso. Agora ela retorna ao movimento ordinário, do ser que apenas segue o caminho esperado. surgir imerso na escuridão perdida, alucinado e medroso, com frio, e os olhos cálidos, chorando de fome. Hoje estamos bem, por ora, ainda vemos os sois batidos de uma luz pálida, um preto branco insípido, mas que por vezes antevêem um futuro voluptuoso, tortuoso, vigoroso, esplendoroso, que se vê rodeado de lindas mulheres á sorriem largo e verdejante, a sentir a cálida presença de suas peles insanas, sentir seu beijo molhado, seus olhos a abraçar-me, a sentir suas coxas rígidas e quentes a rolarem no meu corpo cansado e esmorecido. Sentir seu doce aroma e seu fino perfume, sentir seus cabelos a rolarem nos meus braços, e sentir seu rosto resvalando no meu, abraçando-o, arrefecendo-o, tornando parte do seu e o dela parte do meu, um só novelo de amor. Mas isso são só ilusões.


Estou inerte ainda. Volto e me revolvo me insisto num persisto de misto, com visto e bem quisto, porém desfeito, num refeito, meio sem jeito, ou com remexo virou negreiro, solúvel marejo, antevejo um certo percevejo na janela do quarto, um gracejo, um novelo, enlevo e enredo. Está incrível desenvoltura, mas a vida ainda não chegou lá. Fico intrépido num ar moroso. O que fazer diante do futuro incerto, bem quisto e ainda bem visto? fogo, quisera tu ter minha força, meu orgulho, minha danação. Sou quente brasando peles, sou brasa viva, rocha insígnia, chão ardente, mãos calientes, talvez a rima não saia sem jeito, talvez clemente, nunca descrente.

mas então caro papel, não volto aqui por merecê-lo, não, ao contrário, a pena me leva a mão por força da expressão, e se antes eu demoro, agora não tardes voltarei para tentar a alcunha já lograda, a aposta já malograda, a disputa já perdida e a tentativa já finalizada, se agora não me despeço é porque já quis ficar e não consigo, já me consolei e ao esquecê-lo me faltava a presença constante e segura, se quis seu carinho, hoje, linguagem, te desprezo, e nesse desprezar me alegro, me divirto e me encontro. Talvez me alucine num veneno que não tarde me matará. Mas acho que é isso mesmo, a morte me espera a meia esquina da virgula, do ponto, do visto e do carimbo, agora sou morte anunciada e sentenciada. Não pertenço ao mundo humano antes por muito zelo do que por sepultado desprezo. Viajarei antigas terras e verei antigas casas, por onde caminhei cansado e sozinho, olhando os reflexos de minha presença constante, na água cintilante das chuvas úmidas e penetrantes. Galguei montanhas imensas, florestas infinitas e caminhos intermináveis, não alcancei, porém, aquilo que almejava, o elo perdido o tesouro sonhado, a rosa malograda, antes fosse, agora, perdi minha morada, minha luz e meu guia. Talvez encontre desejos mais amenos, paixões inóculas, improfícuas, que não surtam o efeito desejado e a rosa florida almejada, mas que alegram o corpo já esmorecido, calangado, arredado.

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